Eu também tenho (em algum lugar) um documento comparando as duas gpls. A gpl 3 é tão ininteligível q mesmo explicada e comparada ela é foda de entender. Mas achei legal abrir isto aqui pra discussão. Divirtam-se.
QUOTE("http://www.forumpcs.com.br/coluna.php?b=229856")
Correspondência para o sr. Torvalds
por André Machado
A mais recente versão da General Public License — a licença que rege boa parte do software livre — continua gerando polêmica por sua radicalização e politização. Estes dias, indo e vindo pela grande rede, encontrei um interessante texto do articulista Ed Burnette, que se dedica a perscrutar os caminhos da programação na seara de TI. Ed, no artigo, dizia estar meio cansado da dicotomia “livre” (com sua conotação política e maniqueísta) e “aberto” (com sua denotação apenas técnica) e das brigas que advêm daí. Resolveu então escrever uma carta aberta a Linus Torvalds, criador do Linux. A carta é cheia de bom senso, por isso reproduzo-a aqui.
“Caro Linus,
Como você, sou pragmático, não dogmático. Acredito que o software quer ser usado e compartilhado, mas problemas com as licenças continuam a barrar esse caminho. Como indústria, estamos tornando o caminho árduo demais para nós. Estamos desperdiçando nossas energias em assuntos improdutivos e restrições desnecessárias. Alguém tem que ceder.
A GPL versão 2 (GPLv2), devido a sua ubiqüidade e valores de senso comum, desempenha um papel central no lugar onde nos encontramos atualmente. Ela merece um bocado de crédito, mas não deixa de ter suas falhas. A GPL versão 3 (GPLv3) começou tentando resolver alguns desses problemas, mas acabou ficando altamente politizada misturada com o equivalente, no software, à chamada ‘engenharia social’. Veja-se, por exemplo, a confusa distinção que ela faz entre produtos para usuários e produtos com outros fins.
Uma licença de software não é lugar para qualquer agenda política ou social. Por isso, tenho uma idéia radical que gostaria que você considerasse: vamos dividir a própria GPL e fazer nossa própria revisão. Digamos que seria a GPLv2.2 [a 2.1 já existe, por isso Ed falou em 2.2]. Ela ia ser a real sucessora da GPLv2.
Lembra-se do que aconteceu com o RSS? A versão 1.0 saiu, mas era muito diferente da 0.91. Então o Dave Winer elaborou o RSS 0.92 para levar adiante a tradição do 0.91. No fim das contas, o RSS 2.0 evolui do próprio 0.92, deixando para trás o 1.0, que ficou estacionado e não mais evoluiu. A GPLv2.2 seria como o RSS 0.91, enquanto a GPLv3 é como o RSS 1.0. E talvez, algum dia, haja uma GPLv4 que seria baseada na 2.2, não na 3.
Algumas das diretrizes dessa versão 2.2 seriam as seguintes:
— Sem ambigüidades, permitir o uso de software embutido em aparelhos (como TiVo).
— Sem ambigüidades, permitir que plugins, drivers de dispositivo e outros adds sejam cobertos por qualquer licença.
— Permitir explicitamente combinações com o código em outras licenças, mas preservar a idéia de passar adiante os melhoramentos.
— Conceder direitos de patente que bastem para tornar úteis as contribuições, enquanto, ao mesmo tempo, evitar seguir uma agenda politica.
— Fazer um texto curto e simples (a GPLv3 é longa demais e muito jurídica).
— Respeitar as liberdades de programadores e seu código, não apenas as dos usuários.
Não há muitas pessoas capazes de levar essa idéia à frente; na verdade, talvez você seja o único. Se você a apoiar, outros o seguirão. Então, o que acha?
Ed”
Como se vê, uma beleza de missiva. Seria mesmo muito bom para a trilha do software livre e aberto que pudesse haver um entendimento maior. De minha parte, embora eu não seja um radical, preciso dizer que a militância do movimento do free software é fundamental para evitar qualquer tipo de cerceamento de liberdade; e é preciso lembrar que tudo o que fazemos ou decidimos de certa forma é político, não importa o quanto tentemos mascarar isso com outras palavras.
por André Machado
A mais recente versão da General Public License — a licença que rege boa parte do software livre — continua gerando polêmica por sua radicalização e politização. Estes dias, indo e vindo pela grande rede, encontrei um interessante texto do articulista Ed Burnette, que se dedica a perscrutar os caminhos da programação na seara de TI. Ed, no artigo, dizia estar meio cansado da dicotomia “livre” (com sua conotação política e maniqueísta) e “aberto” (com sua denotação apenas técnica) e das brigas que advêm daí. Resolveu então escrever uma carta aberta a Linus Torvalds, criador do Linux. A carta é cheia de bom senso, por isso reproduzo-a aqui.
“Caro Linus,
Como você, sou pragmático, não dogmático. Acredito que o software quer ser usado e compartilhado, mas problemas com as licenças continuam a barrar esse caminho. Como indústria, estamos tornando o caminho árduo demais para nós. Estamos desperdiçando nossas energias em assuntos improdutivos e restrições desnecessárias. Alguém tem que ceder.
A GPL versão 2 (GPLv2), devido a sua ubiqüidade e valores de senso comum, desempenha um papel central no lugar onde nos encontramos atualmente. Ela merece um bocado de crédito, mas não deixa de ter suas falhas. A GPL versão 3 (GPLv3) começou tentando resolver alguns desses problemas, mas acabou ficando altamente politizada misturada com o equivalente, no software, à chamada ‘engenharia social’. Veja-se, por exemplo, a confusa distinção que ela faz entre produtos para usuários e produtos com outros fins.
Uma licença de software não é lugar para qualquer agenda política ou social. Por isso, tenho uma idéia radical que gostaria que você considerasse: vamos dividir a própria GPL e fazer nossa própria revisão. Digamos que seria a GPLv2.2 [a 2.1 já existe, por isso Ed falou em 2.2]. Ela ia ser a real sucessora da GPLv2.
Lembra-se do que aconteceu com o RSS? A versão 1.0 saiu, mas era muito diferente da 0.91. Então o Dave Winer elaborou o RSS 0.92 para levar adiante a tradição do 0.91. No fim das contas, o RSS 2.0 evolui do próprio 0.92, deixando para trás o 1.0, que ficou estacionado e não mais evoluiu. A GPLv2.2 seria como o RSS 0.91, enquanto a GPLv3 é como o RSS 1.0. E talvez, algum dia, haja uma GPLv4 que seria baseada na 2.2, não na 3.
Algumas das diretrizes dessa versão 2.2 seriam as seguintes:
— Sem ambigüidades, permitir o uso de software embutido em aparelhos (como TiVo).
— Sem ambigüidades, permitir que plugins, drivers de dispositivo e outros adds sejam cobertos por qualquer licença.
— Permitir explicitamente combinações com o código em outras licenças, mas preservar a idéia de passar adiante os melhoramentos.
— Conceder direitos de patente que bastem para tornar úteis as contribuições, enquanto, ao mesmo tempo, evitar seguir uma agenda politica.
— Fazer um texto curto e simples (a GPLv3 é longa demais e muito jurídica).
— Respeitar as liberdades de programadores e seu código, não apenas as dos usuários.
Não há muitas pessoas capazes de levar essa idéia à frente; na verdade, talvez você seja o único. Se você a apoiar, outros o seguirão. Então, o que acha?
Ed”
Como se vê, uma beleza de missiva. Seria mesmo muito bom para a trilha do software livre e aberto que pudesse haver um entendimento maior. De minha parte, embora eu não seja um radical, preciso dizer que a militância do movimento do free software é fundamental para evitar qualquer tipo de cerceamento de liberdade; e é preciso lembrar que tudo o que fazemos ou decidimos de certa forma é político, não importa o quanto tentemos mascarar isso com outras palavras.